
As pessoas costumam achar que a vida se resume ao período em que estão atualmente vivendo. Eu aprendi a ver minha vida dentro de uma linha de tempo, onde cada um dos períodos é apenas uma parcela pequena.
Hoje eu posso observar os períodos que passaram, assim como daqui a algum tempo vou me observar num passado que um dia chamei de presente.
E então eu imagino o que eu seria hoje se tivesse me apegado em demasia a cada um desses períodos passados, e se eu tivesse posto em prática todas aquelas coisas que se faz sem pensar, com o objetivo único de atender a “necessidade” de se enquadrar ao momento. No mínimo algumas tatuagens; mais alguns furos no rosto por piercings que acabei enjoando meses após ter feito; mais alguns hematomas; algumas pessoas pra odiar, outras pra temer; o cabelo um pouco mais destruído; teria nojo de mim e aversão a espelhos; e tudo isso pra atender o que em um instante era fundamental e no outro nem me agradava mais.
Cheguei a conclusão que gostos mudam; paixões na maioria das vezes acabam fazendo mal ou simplesmente se desfazem; pessoas interessantes e amizades instantâneas uma hora acabam perdendo a graça, quando não, perdem o contato; atitudes impensadas quase sempre trazem conseqüências negativas; me apegar demais a coisas e pessoas só me impedem de crescer. E o que fica? Eu fico. Eu, meu corpo e o que fiz dele, minha mente e o parco conhecimento que eu julgava ter, e que viraram quase nada no momento em que passei a ter consciência de mim, do mundo e de tudo que eu sei que não sei.
Há tempos perdi a pretensão de viver por viver, ocupo meu tempo devorando tudo que me encanta, ou que acredito ter um bom objetivo.
Não tem objetivo, descarto. Me faz mal, descarto.
Valorizo cada gota de tempo, me valorizo e tudo aquilo que realmente mereça valor.
E por fim, sou muito feliz, a menos que eu mesma me convença do contrário.
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